segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sargo sem medo





"Em 2004 eu e o meu Mano Ruben fomos a Porto Covo pescar.
Estávamos a chegar quando vimos o mar impróprio para consumo com uma forte ondulação que impedia qualquer tentativa de pescar à bóia. Armámos as canas da chumbadinha e começámos a pescar sem grandes esperanças, uma vez que o mar parecia uma máquina de lavar roupa.
Ao fim de várias horas sem sentir nada vejo o bom do Ruben com a cana toda vergada, andando para trás e para diante a trabalhar um peixão. Perguntava eu:
-É peixe?
-Não sei! –respondia o Ruben- Parece peixe mas não bate. Se calhar é lixo.
E, na dúvida, lá fui eu meter os pés dentro de água para ajudar a tirar o que quer que viesse.

Numa praia de seixos o Ruben tirou um Sargo Veado (ou saima) com mais de um quilo. Tirei-o da água com as duas mãos em concha e o magano nem se mexia. Estava nas minhas mãos como se estivesse dentro de água. Virava o olho para inspeccionar o que o rodeava mas não se debatia nem quando lhe retirava o anzol.

Coloquei-o dentro do balde e continuámos a pescar. Passado meia hora o Ruben colocou-o numa poça grande para que lhe não faltasse o oxigénio e começou a brincar com o peixe que continuava calmíssimo.
Nessa altura aconteceu algo que nunca imaginei possível. Punha a mão dentro da poça e o peixe vinha do outro lado da mesma roçar-se na mão e voltava-se do outro lado para receber mais festas. Eu sei que isto parece impossível mas aconteceu mesmo.
Impossível também foi que o Ruben o libertou no fim da pesca, e assim sobreviveu o sargo sem medo."
Texto Trakinas

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