sábado, 13 de junho de 2009

Carretos - Como escolher

Carretos




A escolha de um carreto para a pesca á bóia no mar deve obedecer a alguns critérios que não sendo obrigatórios ajudam-nos a adequar o material às diversas formas de pescar.
No mercado nacional há muitas marcas e modelos de carretos por onde escolher e todos eles cumprem basicamente a sua função.
Temos carretos pequenos, médios e grandes, carretos fortes ou mais rápidos na recuperação. Simples carretos ou cheios de tecnologia e feitos de materiais XPTO.
O principal critério a ter em conta é o tipo de pesca que se faz. O factor económico e as características / qualidade dos materiais também tem o seu peso na sua escolha estando directamente interligadas estes dois últimos factores.

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Vamos centrar-nos basicamente em 3 tipos de pesca á bóia em função da gramagem das bóias e os tipos de pesqueiros
Pesca técnica ou ultra leve, pesca com bóias tipo caneta ou média gramagem e pesca ao peão ou pesada, e ainda pesca junto á agua ou pesca em altura.
Caracterizando de forma simples cada uma deste tipo de pesca á bóia, temos então:

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Escolhendo o carreto de acordo o tipo de pesca praticado.

Pesca técnica ou ultra leve

Pesca Técnica ou Ultra leve é a pesca que se faz ás tainhas ou aos peixes de pequeno porte quer nos estuários ou pontões e também em competição.
O facto de neste tipo de pesqueiros não haver obstáculos também ajuda.
Neste tipo de pesca utilizam-se materiais muito ligeiros desde bóia com 1gr, linhas, 0.12, anzóis “mosca” canas e carretos a condizer
Na pesca á bóia junto á agua com bóias de pouca gramagem , a escolha de um carreto pequeno, tamanho 2500 ou mesmo mais pequeno pode ser o suficiente e por vezes o mais indicado.
Este tipo de carretes são caracterizados pela sua leveza e rápida recuperação devido ao seu reduzido diâmetro de bobine.
A utilização de linhas finas também são o mais indicado.
Em caso de ferrar um peixe maior, o facto de estarmos ao nível da agua faz com que possamos utilizar um camaroeiro
Uma técnica que se pode utilizar caso o carreto não tenha força para rebocar o que estiver preso na linha, é a técnica a que se usa na Pesca embarcada, puxa-se com a cana e no movimento descendente enrola-se com o carreto.

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Pesca bóias tipo caneta ou de média gramagem

Esta é a pesca mais praticada na costa marítima podendo pescar-se ao nível da água ou em pontos mais elevados em quer com mares mais mansos ou mesmo mares mais mexidos.
No que toca ao tamanho bóias elas são sempre escolhidas es função do tipo de pesqueiro e das condições de mar.
Desta forma a utilização de bóias de pouca gramagem ou mesmo bóias mais pesadas ou mesmo peões de 30 grs. A utilização de uma carreto médio tamanho 4000 deverá ser o mais indicado.
Neste segmento de carretos podemos encontrar carretos mais rápidos em que precisamos de pescar rápido e safar montagens da pedra ou com mais força quando as capturas assim o exigem. A capacidade de linha neste tamanho de carretes é maior podendo chegar a 200 metros de 0.28.
Este tamanho de carretes também servem para a pesca á chumbadinha, técnica que muitas vezes serve para salvar a “grade” quando a á bóia não se tem êxito.


Pesca ao peão ou pesada

Pesca com peão ou pesada, é a pesca que associamos á Costa Vicentina.
Falésias com 30 e mais metros são os tipos de pesqueiros encontrados por essas bandas onde todo o material tem de estar adequado as necessidades.
Este tipo de pesca é feita com bóias grandes e mais pesadas chegando aos 80grs os populares peões utilizados em Sagres e Cabo S. Vicente.
Neste tipo pesqueiros em que muitas vezes é preciso trazer à “ força de carrete “ o peixe, que nesta zona o seu tamanho é XL, o carrete tem de ser robusto e ter força de tracção.
Neste caso o tamanho 6000 ou mesmo superior é o aconselhado. A maioria dos pescadores utiliza canas e carretes de fundo na pesca á bóia.




Características de um carreto

Travão ou Drag
A primeira diferença que salta á vista num carreto é se tem travão ou drag dianteiro ou traseiro.
O travão ou drag regula a velocidade de rotação da bobine.
Na sua essência o principio de ambos os travões é idêntico, mas os carretos com travão dianteiro tem vantagens ao nível da fiabilidade e manutenção.
É com frequência que os carretos com travões traseiros bloqueiem devido ao acumular de salitre nos discos de travão.
Daí desaconselhar este tipo de carretos para pesca no mar.

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Ratio de um carreto

O ratio de um carreto é medido pelo numero de voltas que o rotor do carreto dá por uma rotação completa da manivela ( manivelada)
Geralmente vem inscrito no carreto algo deste género: 5.2:1
Isto significa que o rotor da 5.2 voltas por cada manivelada completa.
Através da analise do ratio, teoricamente um ratio menor indica-nos que um carreto tem mais força comparativamente a outro com um ratio maior.
Esta comparação para mim só é valida entre carretos do mesmo segmento e sobretudo da mesma marca.
Não podemos comparar um carreto de baixa gama que indica um ratio de força com um carreto de gama alta com um ratio de velocidade de recuperação e que o primeiro tenha mais força que o segundo.
Tenho reparado que actualmente os fabricantes de carretos não tem colocado esta informação nos carretos.

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Anti reverse

O anti reverse é um travão da mudança do sentido de rotação do rotor, ou seja é o que impede que o carrete ande para traz.

Actualmente a maioria dos carretes já traz “Instant Antireverse”. Isto significa que no momento que o carrete pára, o rotor não se move para traz nem um centímetro ao contrario dos antigos sistemas de rodas dentadas que o rotor retrocediam ate encontrar o bloqueio.
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Bobines suplente

Actualmente uma grande parte dos carretes vendidos vêem com uma segunda bobine.
A existência de uma bobine suplementar dá-nos a chance de podermos por um fio diferente e que nos permita mudar de linha em função das condições de pesca.

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Manivela

Em alguns carretos de gama media ou superior a fixação da manivela é feita através de rosca na roda de coroa .
Este tipo de fixação é mais forte e elimina as folgas que o sistema tradicional de espigão origina.
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Rolamentos

A introdução de rolamentos nos carretes vem trazer fiabilidade, suavidade e precisão.
O numero elevado de rolamentos não quer por si só dizer que um carrete é bom.
Mais vale ter poucos mas bons do que muitos e maus.
Temos rolamentos simples e blindados. Os rolamentos blindados tem menos problemas por estarem protegidos das poeiras e sujidade.



Um carrete de 50 euros com muitos rolamentos certamente a qualidade dos rolamentos não é a melhor.

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Os rolamentos chave são o do pinhão, roda de coroa, e rodízio da asa de cesto.
Também ao nível do eixo da manivela temos carretos com rolamentos ou casquilhos plásticos que fazem na sua essência o mesmo que os rolamentos.

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Corpo do carreto
As ligas metálicas e o grafite são materiais utilizados para a construção dos chassis do carreto.
Os carretos mais económicos utilizam muito a grafite no chassis.
A grafite não tem grande resistência á torção quando sujeitos a grandes esforços, o que já não acontece com chassis de ligas metálicas.
Para pescas mais pesadas e para evitar torção a escolha de um carreto com chassis de ligas metálicas é o aconselhado.


Pinhão e Coroa
O pinhão e a Coroa de um carrete formam a engrenagem principal e é através deste conjunto que se transmite o movimento ao rotor do carreto e o faz girar.
Esta engrenagem deve ser de boa qualidade de forma a evitar o prematuro desgaste fruto do constante movimento e esforço a que é sujeita.
O Pinhão geralmente é de bronze para evitar a oxidação mas também existe noutros materiais pobres e que se encontra nos carretos de baixa gama.
No que toca ás coroas, elas devem ser de material de qualidade para que resista ao esforço continuo e oxidação.
Um dos materiais utilizados no fabrico de coroas é o duraluminio.

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Conselhos finais.

Não esquecer que ao escolher um carreto devemos também ter em conta a cana em que o carreto irá ser montado.
O carreto serve de contrapeso numa cana e não faz sentido ter uma cana bolonhesa e um carreto pesado e robusto ou o inverso, uma cana forte e pesada e um carreto pequeno e leve.
Há que fazer um bom casamento entre ambos.
Outro aspecto é o tamanho do porta carretos da cana. Como referi no artigo dedicado as canas de bóia, por vezes encontramos porta carretos sub dimensionados ou pequenos e que não é possível colocar um carrete maior .

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No aspecto económico sou da opinião que devemos comprar um carreto de acordo com as posses económicas, não comprando um topo de gama apenas porque posso e não tendo necessidade de ter um.
Há muito boa gente a pescar com material de topo e o material sai para pescar meia dúzia de vezes por ano e as capturas não justificam o dinheiro investido.
Contudo não posso criticar quem os tem e parafraseando um amigo meu que diz” .... Gosto do que é bom, quero porque posso comprar, e quero porque me apetece. ....
Todavia o material não faz o pescador.

Não deixem de perguntar nas lojas se existe material em promoção. Geralmente antes da saida dos novos modelos, fazem-se campanhas para limpar Stocks e nestas alturas encontram-se bons equipamentos a bons preços.


Algumas sugestões de carretos


Na Costa Vicentina há um carrete que apesar da idade continua a ser uma referencia na pesca á boia. Os Bg’s da Daiwa. Carreto com mais de 15 anos solido e robusto com força necessario para içar bons exemplares.
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Temos um modelo de carreto com uma excelente construção e já com provas dadas quer na rubostez quer na força, Falo dos Quantum Cabo. Este carreto tambem é utilizado para zagaia sendo utilizado nesse caso os tamanhos 60 e 80.
Uma boa proposta para quem necessita de um carreto moderno e robusto para pescas fortes.
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Nos carretes de topo existe um modelo que é a referencia a nivel nacional. O Shimano Stella apesar do seu elevado preço, é um best seller. Este carreto tem modelos pequenos adequados á boia e utilizados com bastante sucesso mas é os modelos maiores que são mais utilizados.
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Numa gama media alta temos um campeão de vendas. O celebre Twin Power. Tal como o Stella este carreto não está ao alcance de muitos pescadores É um modelo ja com alguns anos no nosso mercado mas tem sido aprefeiçoado e melhorado .
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Para alem das conhecidas Marcas Daiwa e Shimano entre outras, temos uma marca com bons carretos na gama media e um excelente carreto na gama superior. O Tica Taurus.
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Ao nivel da gama económica temos as marcas mais conhecidas e ainda as marcas nacionais com modelos bastante interressantes que dão muitas alegrias a todos os pescadores que por não terem possibilidades economicas continuam a fazer as suas pescas com muito bons.
O material não faz o Pescador mas contribui para o seu exito.

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Este Artigo foi publicado na edição de Junho da Revista "O Pescador"

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3 comentários:

Anônimo disse...

Quero dar os parabéns pelo artigo pois vai-me ajudar a escolher o meu novo carreto.

Anônimo disse...

Boas

Gostaria de saber qual destes 2 carretos é o melhor para a pesca(spinning)

http://www.lojatudopesca.com/info.php?c=21_43&i=4528

http://www.lojatudopesca.com/info.php?c=21_43&i=4651

Fábio Ramos disse...

Gostei muito do que aqui li! aprendi algumas coisas que andava a tentar saber já faz algum tempo! Já agora no site das marcas falta lá a mar internacional RYOBI pois até agora tou orgulho so desta marca simplesmente 5 estrelas