quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Roteiro Costa Estoril

A Costa do Estoril é um lugar privilegiado da nossa costa para a pesca lúdica em especial no Outono e Inverno.
A zona que vamos abordar esta compreendida entre o forte S. Julião da Barra em Carcavelos e a Praia da Azarujinha em S. João do Estoril.

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Orografia

Esta costa está virada a sul e é caracterizada pelo seu baixo relevo existindo muitas zonas de praia e de rocha. Os pesqueiros são de muito fácil acesso e situam-se ao nível do mar . Nesta zona existe grande amplitude entre marés. Na maré cheia esta zona caracteriza-se por relevo típico de falésia de baixa altura e na base grandes blocos de pedra. Na maré vazia o terreno é plano sendo bastante fácil movimentar. Desta forma é possível ir “atras” do mar quando a maré vaza e vir recuando quando a maré enche. Os fundos marinhos perto das zonas de praia tendem a ser bastante areados e nas restantes zonas fundos mistos.
Ao nível do vento, nesta costa o vento norte amansa o mar uma vez que sopra compra a vaga. Já com vento sul é difícil pescar com vento de frente. A orientação desta costa funciona como abrigo. O Cabo da Roca e o Cabo Raso funcionam como quebra mar á forte ondulação vinda de norte ou noroeste .

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Zonas de pesca

Forte de S.Julião da Barra


Esta zona de pesca é um pequeno espaço de rocha plano onde no Sec. XVI foi edificada a maior fortificação marítima de Portugal servindo para controlar a barra do Tejo e o acesso a Lisboa . É considerada a residência oficial do Ministro da Defesa.

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O acesso a este local faz-se pelo lado oeste do Forte e pesca-se no topo Sul sendo este o mais procurado e no lado Oeste. Por ser próximo da foz do Rio Tejo este é um local com corrente em dias de mar mais agitado e com marés de lua. É um local que requer algum cuidado com a ondulação uma vez que pescamos ao nível do mar quando as previsões são de mar a crescer. A melhor altura pescar é na enchente.
Os fundos são predominante de areia.
As espécies aqui capturadas essencialmente são os sargos e robalos por vezes de bom porte.
O material aqui utilizado é o normal para a bóia, podemos optar por ter canas curtas, 4.5 ou 5 metros. O xalavar pode ser um bom auxiliar para aqueles exemplares maiores.
No que toca aos iscos o camarão, a sardinha, a amêijoa e os anelídeos são os que trazem melhores resultados. O engodo é de sardinha moída.

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Carcavelos- Parede


Esta é uma zona de pesca com cerca 1 km de extensão que se localiza entre as praias de Carcavelos e Parede.
Esta zona é um conjunto de maciços rochosos bastante fracturados originado um continuo amontoado de rochas de grandes dimensões.
Nesta zona existe uma Cruz de Pedra, edificada na “Ponta de Rana” que recorda um trágico naufrágio ocorrido em 1606.
Existe uma outra cruz em Cascais, junto ao Hotel Albatroz que tem o mesmo significado.



“Neste ano de 1606 perderam-se a nau Mártires e a nau Salvação, de Cascais para cá, sendo uma das maiores perdições que jamais se viram, estando toda a praia alastrada de mortos e de riquezas, não tendo escapado coisa alguma viva e foi a 14 de Setembro dia da exaltação da Vera Cruz de 1606.
Naquela Torre de S. Julião tudo se despedaçou nas pedenias.”

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Esta é uma zona de baixa profundidade com fundos planos de rocha e buracos que serve de abrigo aos peixes. Ao largo existe um extenso areal que em determinadas épocas trás areia para junto da costa tornando os fundos mistos onde é possível apanhar Teagem. Este é um excelente isco para os Sargos que aqui se apanham. O Camarão, Teagem, Sardinha e a Amêijoa são os iscos mais utilizados. O engodo é de Sardinha moída
Os Robalos também são uma das espécies que se capturam no Outono e Inverno.
As Tainhas de bom porte também se capturam no Outono. No Inverno é possível captura-las com pão. As Salemas aparecem a partir de Fevereiro onde se capturam com limo de baga e limo ”Caldo verde”.
A ondulação deve ser cerca de 1.5m a 2 metros nesta zona. Se for menos, o mar é parado comprometendo as capturas. É uma zona onde o peixe entra na enchente em especial na ultima metade da enchente.
Aqui o material utilizado pode ser canas de 5 metros em alguns locais mais baixos noutros locais as canas de 6 metros são o aconselhado. O Xalavar é importante para ajudar na recuperação dos exemplares de maior porte.

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Toda esta zona foi em tempos muito rica quer em peixe e marisco. A existência de um manto de Laminarias até aos anos 80 era “Porto de Abrigo” para a fauna e flora aqui existente.
Sapateiras, Santolas, Cavacos, Lavagantes, Linguados entre outras espécies de peixe eram capturados pelos pescadores que aqui tinham um pequeno porto de abrigo entretanto desactivado á uma dezena de anos.

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Praia da Parede- Praia da Bafureira



Esta era uma zona por excelência para a pesca em especial na maré vazia.
Desde 1998 é uma zona interdita a diversas actividades nomeadamente á pesca.
Zona de interesse Biofísico das Avenca- Ziba. O objectivo da criação desta zona é a protecção da fauna e flora bem como a preservação de um ecossistema muito especifico que ali se desenvolveu e que esta em perigo.
Esta zona é formado por diversos patamares rochosos onde se observa fauna e flora diferentes entre si.
Na maré vazia é possível observar toda esta riqueza .
É uma zona rica em peixe e marisco que urge preservar e que é fiscalizada regularmente.


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Praia de S. Pedro- Praia de S. João



Esta é faixa de costa é composta por duas partes. A primeira, faz parte do lado Oeste da Praia de S. Pedro do Estoril e a outra, mais extensa e escarpada embora pouco elevada. Este é a mais extensa zona de pesca deste roteiro de pesca.
A primeira parte bastante diferente do todos os locais já abordados, é um local que fica por baixo de uma alta falésia que abriga a Praia de S. Pedro do Estoril dos ventos Noroeste e Oeste. Em termos de ondulação é bastante abrigada pois a sua configuração de meia lua faz com que com mares bravos seja um dos poucos locais da “Costa do Estoril “ onde seja possível pescar.
Os fundos são mistos com bastante areia ou completamente assoreados.
É uma zona pouco profunda onde Sargos, Robalos e Tainhas encostam.
Camarão e Sardinha e Teagem são os iscos mais utilizados. O engodo é de Sardinha moída. E um pesqueiro de enchente. Por ser um pesqueiro ao nível do mar e sem obstáculos uma cana curta é o suficiente. Este é um local onde é possível encalhar os peixes de maior dimensão.

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A outra parte tem inicio na “Pedra do Sal” e é constituída por grandes rochas amontoadas em toda a sua extensão. Os fundos são de rocha plana com pequenos aglomerados de pedras dispersos . Há períodos do ano em que pode assorear em alguns locais tornando os fundos mistos.
Existe nesta extensão de costa pequenas enseadas onde o peixe abeira com mais facilidade e com mares mais fortes são os únicos locais onde o mar deixa pescar.
A ondulação deve ser de 1.5 metros a 2 metros. No entanto é possível pescar com mares mais fortes em alguns locais dependendo de como a ondulação entra.
È na enchente que o peixe entra nos pesqueiros.
Sargos e os Robalos são os peixes de eleição mas Tainhas e Salemas também se capturam com frequência. No verão, não sendo muito habitual, as cavalas e os badejos podem abeirar na zona mais profunda desta zona, a “Pedra do sal.”
Os iscos mais utilizados são o Camarão e a Sardinha e a Amêijoa. O engodo é de Sardinha moída.
O material é o normal para a pesca á bóia sendo o tamanho das canas de 6 metros.
O xalavar é uma peça importante uma vez que não há locais para encalhar o peixe.

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Aqui também existe historia. Nestas escarpas foi edificado em 1590 uma fortificação marítima. Forte de Santo António do Estoril ou Forte de Salazar. Esta ultima denominação advém de que era aqui que Salazar passava ferias. O celebre episódio da queda da cadeira de Salazar ocorreu neste mesmo forte. As consequências desta queda foram lesões cerebrais graves que o afastaram do governo e por fim a sua morte em 1970.


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Site consultado :Wikipedia.com
Obra consultada: AS Pedras e o Mar – Monografia de Parede

2 comentários:

Pedro Franco disse...

Grande partilha companheiro Ruben,
O post está um espectáculo, bem elaborado, bem explicito, é uma grande ajuda para quem quer rumar para essas bandas, tem já o trabalho de pesquisa feito, basta apenas por a tralha no carro e fazer os testes finais.
Eu é muito raro ir para essas bandas, apenas em concursos e quando vou é para a zona do Guincho ou lá perto, conheço muito mal essa zona.
Abraços

MMarques disse...

Excelente post.
Bastante completo com informação complementar útil.