
No verão as condições para pescar nem são boas para o peixe nem para o pescador.
Mares mansos, aguas transparentes, muitas horas de luz, calor as nortadas na costa ocidental desmotivam qualquer pescador.
Quando o mar mexe um bocadinho e o vento pára, então é altura ir a eles(sargos).
As previsões eram de ondulação de 1.5m e ausência de vento por um dia e maré de quarto crescente a encher com a preia- mar pelo meio dia.
Uma característica das marés de quarto de lua é a pouca amplitude entre marés. Vaza pouco e enche pouco e isso pode ser benéfico pois o peixe pode concentrar-se no pesqueiro durante mais tempo.
A pesca teria de ser feita pela fresca, começando a pescar logo ao amanhecer.
De véspera preparei todo o material, 2 conjuntos de canas e carreto, linhas finas para a aguas lusas, bóias de caneta e restante material.
Deixei a descongelar a sardinha para engodo, camarão e uma mão cheia de perceve para iscar.
Deixei o despertador para as 5 da manhã para às 6 estar no mar.
A noite abafada deixava adivinhar um dia muito quente e que teria de fazer a pesca nas primeiras horas para evitar apanhar com o calor da manhã.

Cheguei ao mar, ainda escuro, escolhi o pesqueiro em função do movimento das aguas e a sua oxigenação. As aguas eram azuis leitosas na sua camada superior por causa da feição mas por baixo elas eram transparentes.

O pesqueiro é composto por zonas de rocha com bastantes abrigos para o peixe com bastante alimento, perceve, mexilhão ouriços e algas.
Estes dados foram decisivos para fazer a correcta escolha do material.
Optei por uma cana de 6 metros ligeiramente macia uma vez que teria de pescar linhas finas em que a carga de ruptura é baixa e nestas condições a cana tem de ter alguma flexibilidade para amortecer as cabeçadas do peixe para evitar que a linha se parta..
O carreto é um tamanho 4000 com uma linha 0.24 macia o que lhe confere também alguma elasticidade e no estralho um fluorcarbono 0.18.
Bóia escolhida foi de 10 grs. lastrada a 10 grs. de forma a que estivesse praticamente toda dentro de agua ficando apenas a antena de fora para que a detecção das picadas do peixe fossem mais evidentes.
A distribuição dos chumbos foi feita da seguinte forma : 1 chumbo de 5 grs. na madre e no estralho de 50 cm um chumbo de 2 grs. e 2 de 1 grs. distribuídos ate ao anzol
O anzol n.º 2 chinu é ideal para a pesca ao sargo. Este tipo de anzol faz umas belíssimas iscadas de camarão.

O engodo de sardinha muito bem pisada de forma que fizesse um engodo muito fino. Afinal o engodo não é para encher a barriga aos peixes mas sim concentra-los e atrai-los á isca.
Ao fazer o engodo reparei que a temperatura da agua era elevada e isso é um bom pronuncio para a pesca.
Montado o material e engodo feito, começo a pescar no inicio da enchente com os primeiros raios de sol
Faço a primeira iscada de camarão e ponho a iscada junto á parede da falésia a como se estivesse a pescar ao tento a ver se apanhava algum sargo a mariscar aproveitando o vai vem da agua para arrancar o alimento.
Nas primeiros lances senti uns toques ficando na duvida se seria peixe ou o anzol a roçar na parede da falésia.
Experimentei uns lombos de sardinha e também perceve mas para ver se era peixe mas sem resultados.

Passei á técnica de bóia propriamente dita mas sem resultados. Um toque aqui outro ali, variando a altura da bóia, ora pescando mais longe ora encostado á falésia.
A maré ia subindo e o sol também. Já com o dia completamente claro lá ferrei o primeiro peixe.

Um bonito exemplar de bodião, que após de fotografado foi libertado.
Este peixe é para mim um dos mais bonitos peixes da nossa costa.
O bodião é um peixe que vive e se movimenta no fundo entre as pedras e algas, e o facto de o ter apanhado significa que a isca estava a trabalhar junto ao fundo.
Mais umas iscadas e novamente outro bodião que prontamente foi devolvido.
Esta não é a espécie que procuro. Há que alterar a montagem para que possa ter êxito.
Retiro o estralho e faço um novo com cerca de 50 cm mas desta vez sem chumbos de calibrar.
Calibro novamente a bóia para 10 grs. mas o chumbo fica todo na madre, deixando o estralho ao sabor da maré.

Baixo também a bóia de forma a que o isco trabalhe mais ma metade inferior da coluna de agua e não rente ao fundo como o tinha feito ate aqui.
Após alguns lances começo a sentir algumas picadas mas sem resultados efectivos.
Continuo a engodar e a alternar as iscadas entre camarão e sardinha e perceve . iscadas mais generosas outras mais a tapar apenas o anzol.

Já sem grande esperança lá ferro o primeiro sargo com medida bastante aceitável numa altura com mais de meia maré.

A certa altura começa uma brisa ligeira mas fresca vindo de norte que começa a ganhar intensidade e o mar ganha força.
Com esta mudança as picadas são mais frequentes e o peixe aparece. Em pouco tempo ferro 3 bons sargos já perto da preia mar
O maior exemplar foi com perceve e todos os outros foram com camarão.

Ainda insisti mais um pouco mas da forma inesperada que parecerem estes peixes também rapidamente deixei de os sentir..
Já contente com 4 peixes de bom lote e numa altura que já não esperava apanhar peixe dei por encerrado a sessão de pesca.

Notas finais
No verão as agua lusas e o mar com pouca ondulação não são as condições ideais para a captura de peixe.
Para se ter êxito:
A utilização de linhas finas é obrigatório
Quando não sentimos peixe há que alterar quer a montagem explorando os diversos patamares da coluna de agua.
Variar a distancia dos lançamentos optando por pescar mais fora ou mais encostado
Variar o isco e a sua apresentação devendo iscar de diversas formas umas vezes mais generosas outras apenas a tapar o anzol.
Mudar de pesqueiro quando já perdemos a esperança de apanhar peixe.
Boas pescas