domingo, 31 de janeiro de 2010

Sargos no verão

No verão as condições para pescar nem são boas para o peixe nem para o pescador. Mares mansos, aguas transparentes, muitas horas de luz, calor as nortadas na costa ocidental desmotivam qualquer pescador. Quando o mar mexe um bocadinho e o vento pára, então é altura ir a eles(sargos). As previsões eram de ondulação de 1.5m e ausência de vento por um dia e maré de quarto crescente a encher com a preia- mar pelo meio dia. Uma característica das marés de quarto de lua é a pouca amplitude entre marés. Vaza pouco e enche pouco e isso pode ser benéfico pois o peixe pode concentrar-se no pesqueiro durante mais tempo. A pesca teria de ser feita pela fresca, começando a pescar logo ao amanhecer. De véspera preparei todo o material, 2 conjuntos de canas e carreto, linhas finas para a aguas lusas, bóias de caneta e restante material. Deixei a descongelar a sardinha para engodo, camarão e uma mão cheia de perceve para iscar. Deixei o despertador para as 5 da manhã para às 6 estar no mar. A noite abafada deixava adivinhar um dia muito quente e que teria de fazer a pesca nas primeiras horas para evitar apanhar com o calor da manhã. Resize of amanhecer Cheguei ao mar, ainda escuro, escolhi o pesqueiro em função do movimento das aguas e a sua oxigenação. As aguas eram azuis leitosas na sua camada superior por causa da feição mas por baixo elas eram transparentes. Resize of pesqueiro oxigenado O pesqueiro é composto por zonas de rocha com bastantes abrigos para o peixe com bastante alimento, perceve, mexilhão ouriços e algas. Estes dados foram decisivos para fazer a correcta escolha do material. Optei por uma cana de 6 metros ligeiramente macia uma vez que teria de pescar linhas finas em que a carga de ruptura é baixa e nestas condições a cana tem de ter alguma flexibilidade para amortecer as cabeçadas do peixe para evitar que a linha se parta.. O carreto é um tamanho 4000 com uma linha 0.24 macia o que lhe confere também alguma elasticidade e no estralho um fluorcarbono 0.18. Bóia escolhida foi de 10 grs. lastrada a 10 grs. de forma a que estivesse praticamente toda dentro de agua ficando apenas a antena de fora para que a detecção das picadas do peixe fossem mais evidentes. A distribuição dos chumbos foi feita da seguinte forma : 1 chumbo de 5 grs. na madre e no estralho de 50 cm um chumbo de 2 grs. e 2 de 1 grs. distribuídos ate ao anzol O anzol n.º 2 chinu é ideal para a pesca ao sargo. Este tipo de anzol faz umas belíssimas iscadas de camarão. Resize of montagem 1 O engodo de sardinha muito bem pisada de forma que fizesse um engodo muito fino. Afinal o engodo não é para encher a barriga aos peixes mas sim concentra-los e atrai-los á isca. Ao fazer o engodo reparei que a temperatura da agua era elevada e isso é um bom pronuncio para a pesca. Montado o material e engodo feito, começo a pescar no inicio da enchente com os primeiros raios de sol Faço a primeira iscada de camarão e ponho a iscada junto á parede da falésia a como se estivesse a pescar ao tento a ver se apanhava algum sargo a mariscar aproveitando o vai vem da agua para arrancar o alimento. Nas primeiros lances senti uns toques ficando na duvida se seria peixe ou o anzol a roçar na parede da falésia. Experimentei uns lombos de sardinha e também perceve mas para ver se era peixe mas sem resultados. Resize of acção pesca Passei á técnica de bóia propriamente dita mas sem resultados. Um toque aqui outro ali, variando a altura da bóia, ora pescando mais longe ora encostado á falésia. A maré ia subindo e o sol também. Já com o dia completamente claro lá ferrei o primeiro peixe. Resize of bodião Um bonito exemplar de bodião, que após de fotografado foi libertado. Este peixe é para mim um dos mais bonitos peixes da nossa costa. O bodião é um peixe que vive e se movimenta no fundo entre as pedras e algas, e o facto de o ter apanhado significa que a isca estava a trabalhar junto ao fundo. Mais umas iscadas e novamente outro bodião que prontamente foi devolvido. Esta não é a espécie que procuro. Há que alterar a montagem para que possa ter êxito. Retiro o estralho e faço um novo com cerca de 50 cm mas desta vez sem chumbos de calibrar. Calibro novamente a bóia para 10 grs. mas o chumbo fica todo na madre, deixando o estralho ao sabor da maré. Resize of montagem 2 Baixo também a bóia de forma a que o isco trabalhe mais ma metade inferior da coluna de agua e não rente ao fundo como o tinha feito ate aqui. Após alguns lances começo a sentir algumas picadas mas sem resultados efectivos. Continuo a engodar e a alternar as iscadas entre camarão e sardinha e perceve . iscadas mais generosas outras mais a tapar apenas o anzol. Resize of iscada camarão Já sem grande esperança lá ferro o primeiro sargo com medida bastante aceitável numa altura com mais de meia maré. Resize of captura exemplar A certa altura começa uma brisa ligeira mas fresca vindo de norte que começa a ganhar intensidade e o mar ganha força. Com esta mudança as picadas são mais frequentes e o peixe aparece. Em pouco tempo ferro 3 bons sargos já perto da preia mar O maior exemplar foi com perceve e todos os outros foram com camarão. Resize of iscada preceve Ainda insisti mais um pouco mas da forma inesperada que parecerem estes peixes também rapidamente deixei de os sentir.. Já contente com 4 peixes de bom lote e numa altura que já não esperava apanhar peixe dei por encerrado a sessão de pesca. Resize of capturas sargos Notas finais No verão as agua lusas e o mar com pouca ondulação não são as condições ideais para a captura de peixe. Para se ter êxito: A utilização de linhas finas é obrigatório Quando não sentimos peixe há que alterar quer a montagem explorando os diversos patamares da coluna de agua. Variar a distancia dos lançamentos optando por pescar mais fora ou mais encostado Variar o isco e a sua apresentação devendo iscar de diversas formas umas vezes mais generosas outras apenas a tapar o anzol. Mudar de pesqueiro quando já perdemos a esperança de apanhar peixe. Boas pescas