A Salema é um peixe mal amado mas a sua pesca tem aspetos positivos a vários níveis. Uns dizem que é uma praga e mudam de pesqueiro logo que elas chegam, outros dedicam-se a elas passando uma tarde bem passada .
O Peixe
A salema de nome cientifico Sarpa salpa pertence á família das Esparídea. Fazem também parte desta família, Sparidae, as Douradas, Sargos e Safias, Pargos entre outras espécies.
A Salema é um peixe que habita na nossa costa durante todo o ano abeirando mais no final do Inverno e Primavera.
É um peixe que anda em grandes cardumes e muito voraz.
A sua alimentação é essencialmente composta por limos e algas daí o seu cheiro e sabor característico que nos faz lembrar lodo.
A salema é muito combativa e que nos proporciona bons momentos de luta.
É um peixe que por ter uma boca pequena e dentes pequenos e muito cerrados torna difícil a sua captura.
Pesqueiro
A salema prefere fundos rochosos ou mistos com rocha onde exista limo verde muito fino. As grandes lajes e pesqueiros mais abrigados são os preferidos.
Mares mansos ou com pequena ondulação e de aguas claras ou azuis são as condições ideais para as capturar.
Devemos escolher pesqueiros com alguma altura de agua pescando nas enchentes.
Uma das formas de identificar a sua passagem pelo local é na maré vazia ver se a altura do limo verde é igual em toda a zona e se tem especto de estar “rapado”.
Na maré cheia por vezes vemos os peixes a virarem nas pedras. Por vezes podemos confundir com Sargos e Douradas uma vez que tem comportamento semelhantes , mas se conhecermos os fundos verificamos que se forem fundos com limo então são salemas.
Iscos e engodo
A Sardinha e o camarão são iscos que se utilizam todo o ano com bons resultados.
No entanto existem outros iscos que merecem destaque sobretudo nesta altura do ano.
O limo verde tipo caldo verde e o limo de baga.
Este limo é aquele que se utiliza para conservar as minhocas do lodo.
As bagas devem conter um tipo de gel. Estas são as boas bagas. Estes limos funcionam muito bem nesta altura mas durante o resto do ano são menos eficazes.
Tenho conhecimento que no Algarve a casca da laranja também é utilizada com resultados mas desconheço por completo as épocas em que se utiliza e como se isca.
O engodo é de sardinha bem moída e aguado. Não é preciso muito engodo para chamar e fixar o cardume de salemas no pesqueiro
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Material e Técnica
O especto combativo e astuto da Salema permite-nos encarar esta pesca de forma mais competitiva dando-nos a possibilidade de testar material e desenvolver e apurar técnicas.
Para momentos de puro prazer aconselho a utilização de canas mais sensíveis de acção de ponteira com poder de levante na ordem dos 2 kg. O comprimento deve ser adequado ao pesqueiro escolhido.
Quanto ás linhas estas devem ser finas uma vez que a Salema detecta com muita facilidade a espessura da linha bem como anzóis grandes ou mal iscados.
Desta forma as linhas devem ser inferiores a 0.25 no estralho. Podemos também pescar directo quando temos madres de 0, 22 ou inferior.
Os anzóis devem ser n.º 4, 6 ou mesmo 8 quer sejam Abardeen ou Baitholder.
A escolha destes anzóis deve-se á sua haste longa que pretende evitar que os dentes pequenos e cerrados cortem a linha.
Para quem pesca com outros modelos de anzóis podemos tentar minimizar o risco da linha ser cortada pela dentição da Salema utilizando uma manga de silicone no topo da haste do anzol.
As boias devem ser tipo caneta e a menor gramagem possível de acordo com o estado do mar.
A montagem deve permitir que o isco se desloque na parte inferior da coluna de agua junto ao fundo
Há alturas em que a Salema facilmente se ferra permitindo fazer uma alcofa de peixe. Outras vezes são bastante manhosas comendo fininho. Nesta situação devemos optar por reduzir a espessura da linha e/ou do anzol. As iscadas devem também diminuir devendo apenas cobrir o anzol.
Dica
O limo verde deve estar dentro de um balde de agua para que não seque. Após feita a iscada, antes de lançar devemos voltar a mergulhar a iscada na agua para que ganhe algum peso e não se desfaça no lançamento.
Este artigo foi publicado na Revista "O Pescador" na edição de Abril de 2010.